lembro bem
do dia que aquele poema bateu na minha porta.
entrou silêncioso,
na sutileza de suas palavras
e fez um carnaval, daquelas com o samba mais agitados,
tudo na minha cabeça e no meu caderno.
por dias, não pensei em outra coisa.
falei de blues, cigarro, bebida, sangue.
alguns em vão.
mas eles sempre pensavam, esperavam ser alguém na vida.
algum verso bem formado, educado.
de alto calão no seu meio.
em torno de todas as literaturas eles estavam só na primeira estação do metrô.
esperando pra chegar no final da linha. com fé.
até eles poderem sair e dar de título com os grandões
que ficam sentados naquela praça.