corre macaco
corre. corre pro seu sonho.
bêbado, com a cabeça raspada.
vai ensinar a macacada.
se igual você, seguir você.
come come come come banana.
destrincha a casca amarela das árvores
daquela selva, dura, alta, iluminada.
com todo aquele mistério.
corre corre corre macaco.

corre macaco

corre. corre pro seu sonho.

bêbado, com a cabeça raspada.

vai ensinar a macacada.

se igual você, seguir você.

come come come come banana.

destrincha a casca amarela das árvores

daquela selva, dura, alta, iluminada.

com todo aquele mistério.

corre corre corre macaco.

Trem

lembro bem

do dia que aquele poema bateu na minha porta.

entrou silêncioso,

na sutileza de suas palavras

e fez um carnaval, daquelas com o samba mais agitados,

tudo na minha cabeça e no meu caderno.

por dias, não pensei em outra coisa.

falei de blues, cigarro, bebida, sangue.

alguns em vão.

mas eles sempre pensavam, esperavam ser alguém na vida.

algum verso bem formado, educado.

de alto calão no seu meio.

em torno de todas as literaturas eles estavam só na primeira estação do metrô.

esperando pra chegar no final da linha. com fé.

até eles poderem sair e dar de título com os grandões

que ficam sentados naquela praça.

eu escrevo
eu leio o que eu escrevo e fico pensando.
o dia inteiro pensando no que eu escrevi.
ortodoxamente pensando, e escrevo mais.

deixo tudo pra trás, quando estou escrevendo
até meus planos de escritas, outrora pensados com calma.
vem tudo rápido, assim, flui. espontâneo

é sutil a diferença de quando escrevo com planos na cabeça.
e quando escrevo com panos nos olhos, e no cérebro.
Cobre e esconde tudo.
até o sentido.

há esse medo, subalterno a nossa relação